O que faz um profissional de Marketing Digital?

por | dez 13, 2016 | 18 Comentários

O que faz um profissional de marketing digital?

Desde que montei a Indiga, em 2012, muita coisa mudou no mercado do marketing digital. Empresas que antes tinham o pé atrás quando falávamos de blogs, mídias sociais, anúncios no Google. Hoje nos convidam para apresentações e projetos.

Esse amadurecimento do mercado era esperado, mas será que é duradouro? Vale a pena investir nessa carreira?

Marketing Digital – vindo para ficar

Se você tem dúvidas sobre o futuro do marketing digital, pode ficar tranquilo: vai continuar crescendo muito mais rápido que o marketing tradicional.

O Marketing Digital traz vantagens imbatíveis:

  • Tudo é possível de ser medido: você consegue saber se uma campanha de anúncios trouxe ou não vendas, quais os posts no Facebook que aumentaram a base de contatos da empresa, etc;
  • Estamos imersos na Internet em nossos smartphones: são mais de 170 milhões de smartphones no Brasil, plugados via 3G, 4G ou WiFi;
  • Ficamos quase uma hora por dia no Facebook/Messenger/Instagram: esses dados, do relatório anual do Facebook, demonstram que ficar de fora é perder um bom pedaço do dia dos seus clientes;
  • Custos de campanhas mais baixos: quer aparecer para milhares de pessoas? Uma boa campanha de Youtube é muito mais barata que uma campanha de TV.

Ou seja, vale a pena investir sua carreira nessa área. Vai existir por muito tempo.

Bom agora vem a dúvida: o que faz alguém no marketing digital?

A vida no marketing digital

O marketing digital é um conjunto de atividades executadas para promover uma empresa, negócio ou pessoa na Internet. Por promoção, vamos no conceito amplo, do Kotler, que diz: “promoção cobre todas aquelas ferramentas de comunicação que fazem chegar uma mensagem ao público-alvo”.

Algumas das principais ferramentas são:

  • Criação de sites com a sua mensagem;
  • Criação de anúncios para seu público-alvo;
  • Técnicas de SEO para fazer seu site aparecer no Google, na busca orgânica;
  • Publicações em mídias sociais, etc…

A grande diferença em relação ao Marketing Tradicional

Quem trabalhou em agência de publicidade sabe bem isso: como explicar ao cliente que aquela campanha nova de milhões de reais estava dando resultados? E lá vai o pessoal do atendimento explicar o inexplicável.

O Marketing Tradicional é considerado por muitos uma caixa preta. Investe-se muito em publicidade, mas na hora de mostrar o retorno, é bem difícil. Eu senti isso na pele ao administrar regionalmente a marca de uma grande multinacional por quase 2 anos. Explicar para o Vice-presidente financeiro que investir em atividades de comunicação para fortalecer a marca gera valor para a empresa é uma tarefa que beira o impossível. Como isso é obrigatório, muitos institutos de pesquisa e agências desenvolveram métricas que foram adotadas no setor. Coisas que já escutamos, como o Recall de Marca, o Índice IBOPE de audiência de televisão, são alguns exemplos do que está implantado no país. Para empresas que vivem do varejo, isso é mais fácil, já está no sangue de todos os funcionários. Mas, ao entrarmos no mundo de empresas que vendem para outras empresas, o famoso B2B, aí complica tudo.

Dá-lhe rejeição: cadê o ROI?

O principal argumento usado pela área financeira para rejeitar campanhas é a falta de métricas diretas que permitam medir os impactos delas nos resultados financeiros das empresas. Confesso que é duro de aceitar, mas eles estão totalmente corretos: porque investir se não sei o resultado nos lucros do que estou fazendo? Será que essa tal de “melhoria da percepção” está realmente aumentando as vendas? Ou será que as vendas aumentaram porque a força de vendas fez melhor seu trabalho?

Na dúvida ainda? Cheque estas 7 estatísticas que irão te convencer a investir no marketing digital.

E o que isso impacta no meu trabalho?

Bom, a resposta não é muito boa para quem odeia números: no Marketing Digital você terá que conviver com números e estatísticas. É óbvio que não precisa ser um gênio em matemática, mas você não terá muito como escapar.

Por exemplo, se você adora mídias sociais e é creativo(a) ao extremo, você pode tentar assumir a conta de um cliente. Criar posts que engajam, criar campanhas incríveis. Mas, no final do mês, o cliente vai te perguntar:

  • Quanto cresceu a nossa base de likes?
  • Qual o impacto desses posts nas visitas ao site?
  • Como medimos o engajamento das publicações?

Não tem como escapar se você quiser trabalhar em agências pequenas. Em agências maiores, é bem mais tranquilo. Os times de criação são maiores e tem espaço para todo mundo. Mas, fica a dica. Aprenda, mesmo que seja o básico. É feio não saber muito.

Dito isso, vamos para o que interessa: o que existe no marketing digital?

 

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Começando pelo povo que traz nosso dinheiro: atendimento, planejamento, etc

Aqui é trabalho de relacionamento com clientes, propostas, contratos e muitos business cases.

O que é exigido:

  • Relacionamento com clientes;
  • Muitas, muitas apresentações. Se você não gosta de falar em público, já pode pular;
  • Capacidade de criar negócios, avaliar propostas, valores. Criar um projeto do zero, com base nas necessidades de seus clientes;
  • Gestão de clientes: parece fácil, mas é bem duro.

Quais as competências necessárias?

  • Finanças. Sério. Ninguém vende nada sem falar em Retorno sobre o Investimento;
  • Habilidade na análise de problemas de clientes;
  • Conhecimento amplo de campanhas de marketing digital;
  • Criação de propostas;
  • Conhecimento em publicadade digital: campanhas em AdWords, Rede de Display do Google, Anúncios no Facebook, Twitter, LinkedIn, Native Ads e muito mais;
  • Conhecimentos básicos de SEO, de e-mails de captura de clientes, de e-mails de engajamento.

No meu dia a dia é o que mais faço. Sentar com um cliente e entender seu planejamento estratégico e objetivos. Entender para quem vende. Como vende. O que podemos fazer para melhorar isso. Como amarrar cada pedaço para dar uma solução completa.

Tem gente que adora esse desafio como eu. Que por sinal, sou Engenheiro de formação, com MBA em Marketing e extensão em Branding.

Não se encontrou? Continue vendo que ainda tem muito mais:

 

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A galera divertida da criação: quem faz as campanhas incríveis

Quem pensa em publicidade sempre pensa em criação: sentar, fazer brainstorming e criar a campanha que trará os Leões de Ouro. Ir para Cannes e receber prêmios. Ficar famoso. Bom, que dá para fazer isso, dá. Mas a vida é muito mais dura. Só perguntar para alguém que recebeu uma “refação” na sexta, 18:00hs para a campanha que entra no ar no Domingo.

Aqui é a área para o pessoal de Publicidade, Propaganda, Comunicação e Jornalismo. Aqui é onde a criatividade é exigida ao máximo. Uma coisa apenas: apesar do pessoal de desenvolvimento estar nessa área muitas vezes, vou separá-los para facilitar a explicação.

Vamos separar em blocos para facilitar a escolha:

Redação: quem escreve o que vai para o ar

Os redatores são os mestres das palavras. Elas e eles são os responsáveis pela criação de tudo o que será lido. Aqui entram os jornalistas e comunicadores ou publicitários, mas com uma pegada diferente em cada caso.

Jornalistas são, em geral, mais aptos para criarem textos direcionados para o marketing de conteúdo. Artigos de blogs, redação de vídeos, infográficos, exigem habilidades que são ensianadas em faculdades de jornalismo.

Na criação de sites, landing pages e anúncios, a veia é totalmente publicitária ou de comunicação. Criar textos e chamadas que engajem a audiência, que resumam em poucas palavras conceitos complexos, que despertem interesse, curiosidade, medo, angústia, tudo de acordo com o cliente, são as atividades que os tiram da cama todos os dias.

Quais as competências necessárias?

  • Saber escrever bem. Gramática. Nada mata mais que um anúncio com erros gramaticais e ortográficos;
  • Faculdades de Jornalismo, Comunicação e Publicidade;
  • Para quem quer trabalhar pesado no mundo digital, também vale a pena entender um pouco de métricas de Google Analytics, um pouco de SEO. Isso permitirá que você seja um profissional de Inbound Marketing, muito requisitado hoje em dia.

Diretores de arte: quem transforma o texto em uma obra de arte

Depois do texto pronto é hora do pessoal que coloca cores, formas e imagens nas peças.

Aqui é onde o pessoal vive e respira Illustrator, inDesign e Photoshop. O pacote Adobe é básico, mas dizem que há os que ainda usam o Corel :).

Quais as competências necessárias?

  • BOM GOSTO. Mesmo. Tem muita gente que sabe usar o Photoshop mas tem um mal gosto tremendo;
  • Faculdade de Design Visual ou de Produtos;
  • Saber cobrar o pessoal da Redação. Os dois trabalham juntos na criação das campanhas e dos ativos digitais. Um depende do outro, e vale a pena quando se comunicam da forma correta.

Diretores de Criação

São os resposáveis pela campanha como um todo. Desde a concepção da campanha, até colocar todas as peças no ar, suas atividades exigem o conhecimento de um pouco de tudo. É gente sênior, com muita bagagem.

 

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Gente que escova bits, bytes e afins

Estar na web, nem preciso dizer, passa obrigatoriamente pelo desenvolvimento de sites, aplicativos, etc.

Se você curte computadores, programação, sistemas operacionais, fique tranquilo. Terá emprego garantido até o final da vida.

Aqui vão algumas opções interessantes para quem quer essa área:

Front-end: quem dá a cara ao site

Quando alguém fala front-end, normalmente está falando da parte visível de um site ou sistema. HTML, CSS, Flash (quase morto), Javascript. É uma área muito dinâmica, que muda constamente com a evolução dos dispositivos e da velocidade da Internet.

Quando desenvolvemos sites na Indiga, normalmente usamos WordPress, ou quando o cliente solicita, HTML puro ou especialistas em .net . Minhas dicas para quem quer entrar com tudo nessa carreira:

  • Aprenda a fazer direito. Há uma grande diferença entre entregar um site para um cliente com uma alta performance, uso de poucos plugins de qualidade, texto redigido profissionalmente, e entregar um WordPress qualquer. Se você quer trabalhar em agências ou empresas boas, aprenda com quem sabe fazer;
  • Aprenda a fazer direito de novo: prazos são fundamentais. Aprenda a gerenciar adequadamente seu tempo, e cumpra o que você promete. Tem muita gente que depende de seu trabalho;
  • Aprenda a fazer direito mais uma vez: gaste um tempo aprendendo sobre hospedagem, nginx, apache, automação de marketing, segurança de WordPress, backups, etc. Trabalho bem feito tem que ser de ponta a ponta.

Eu sou um pouco traumatizado com gente que diz que “faz site”. Nesses últimos anos tive contato com alguns profissionais que chegaram falando que faziam e desfaziam e, que na hora H, me deixaram na mão e que acabaram me dando prejuízo.

Quais as competências necessárias:

  • Saber o que é um projeto e como gerenciá-lo. Prazos, cronogramas, dependências, relatórios, e muito mais. Os clientes vão adorar e seus chefes te olharão com mais respeito. Um bom programador é aquele que sabe desenvolver no prazo estipulado, de acordo com o escopo de projeto definido. Vá atrás de material do PMI, descubra o que é Agile, SCRUM, etc;
  • Varia com o que você quer desenvolver, mas normalmente vejo programadores de front-end que mexem bem com imagens, que tem um lado criativo forte, mas que não dominam PHP, Javascript e semelhantes. Se esse for seu caso, mantenha uma lista de contatos de bons programadores para freela, por que você irá precisar;
  • Aprenda o que é programação responsiva. Hoje, não dá para fazer um site que não funcione bem em smartphones. Responsividade é a regra do jogo;
  • SEO: um bom site tem que ter o SEO On-page bem feito. Metadados, alt-text de imagens, etc. Entregar sem isso é entregar algo bem capenga. Já fui contratado para limpar depois, o que toma tempo e é caro;
  • Faculdade de Processamento de Dados, ou cursos de Desenvolvimento. Se você não se importar em ser freela, ninguém pede diploma para isso. Diploma é necessário se você quiser trabalhar em alguma boa empresa;
  • Inglês. Não é preciso ser fluente, mas é bom saber se virar bem. Tem muita coisa que ainda não está traduzida para o Português, e a área é muito dinâmica. Eu mesmo tenho que me atualizar todos os meses.
  • Gostar de resolver problemas: seu sites vão dar pau, na implantação e depois. Com certeza. E você terá que resolver sozinho. Se não curte isso, não vale nem a pena começar.

Back-end: onde o bicho pega

Programação de back-end é aquela que dá vida ao site. Conteúdo dinâmico, acesso à banco de dados, logins, etc, é isso que faz a diferença entre um site que só mostra texto e um site que é uma aplicação.

Aqui a escovação é pesada. Algumas das linguagens mais usadas são:

  • Ruby On Rails;
  • PHP;
  • Python;
  • Perl;
  • MySQL, javascript, e muitas outras.

As dicas são as mesmas do pessoal de front-end acima, mas, faculdade aqui ajuda muito.

 

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A tribo das métricas e estatísticas

No mundo digital há um mundo paralelo, feito totalmente de números. É onde você encontra o povo que sabe na ponta da língua qual o CTR de um anúncio, qual a taxa de conversão de uma campanha, como virar o Google Analytics do avesso, como taggear links e publicações.

Quais as competências necessárias:

  • Matemática avançada;
  • Excel, nível supremo;
  • Manipular tabelas, extrair dados;
  • SEO: saber tudo sobre on-page e off-page. Vão te perguntar o tempo todo por que uma página tem a performance X, por que não aumentou o tráfego, por que o tráfego direto está caindo, etc;
  • Usar plataformas que simplificam a vida: SEM Rush, AHREFS, RD Station, HubSpot, SharpSpring, Google Analytics, SCUP, RavenTools, e muitas outras;
  • Saber muito de AdWords, Google Display Network, Facebook Ads (e métricas), etc;
  • Saber fazer relatórios que façam sentido.

Recomendo essa área para quem fez engenharia, estatística, matemática, processamento de dados.

Também é fundamental tem um coração forte. As perguntas que chegam nunca são simples e tudo muda o tempo todo. Google e Facebook competem cada vez mais, e as platformas de publicidade mudam ao longo do tempo. Os anúncios podem ter extensões, múltiplas formas de publicações, etc. Vai longe.

Como saber mais?

Se você está disposto a aprender por conta própria, tem um artigo sob medida para você: 50 artigos de marketing digital escolhidos à dedo. Nesse, escolhi os melhores artigos que li nos últimos anos sobre SEO, Mídias Sociais, Inbound Marketing e muito mais.

Agora, se cursos tradicionais são mais a sua praia, dê uma lida no artigo: Quais os melhores cursos para se capacitar no marketing digital.

Finalizando

Esse post foi feito para ajudar quem quer planejar uma carreira no Marketing Digital e não sabia por onde começar. Você agora viu que há espaço para todos os perfis, do mais criativo ao mais técnico.

Claro que não tem todas as profissões e nem imagino que será estático ao longo do tempo. Nessa hora, você pode ajudar. O que não foi falado e você tem curiosidade de saber?

Abraços,

Caetano Notari

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